A eleição de Barack Obama, como o primeiro presidente negro (afro-americano) da história dos Estados Unidos, é um fato realmente marcante.
Suas implicações históricas trarão, sem sombra de dúvida, uma nova era nas relações internacionais, uma vez que Obama, ou melhor, que o Presidente Obama é visto como uma saudável mudança na política externa norte-americana.
O lema da campanha do candidato Obama, um jovem senador pelo estado de Illinois, “Yes, we can” (a tradução para o português é bem simples – “Sim, nós podemos”), traz uma importante questão: essa sentença é um aposto** ou vocativo***?
Não tinha nenhuma intenção de usar nosso espaço em um blog, voltado para a educação, para falar de política internacional. Mas o gancho me pareceu bem apropriado.
A língua portuguesa é cheia de percalços e dificuldades. São inúmeras regras e situações peculiares que devem ter a máxima atenção para que não se cometam erros grosseiros.
Vícios de linguagem, ensino decadente e ineficiente de nossas escolas e o desleixo das pessoas em relação ao uso da língua têm levado o nosso idioma a uma “bagunça” incomparável.
Parece que ninguém mais se preocupa em falar corretamente – não digo em relação a uma linguagem extremamente formal ou pomposa – falo simplesmente da utilização básica das regras gramaticais.
Ontem, no Jornal Nacional, periódico televisivo de grande audiência, seu apresentador, o jornalista Willian Bonner, ao vivo da capital dos Estados Unidos, em tom festivo disse: “os americanos elegeram o Presidente Barack Obama...”. Veja que o entusiasmo pode levar até as pessoas mais experientes a cometerem erros simplórios. Os americanos não elegeram o Presidente Barack Obama..., eles elegeram Barack Obama, presidente.
À primeira vista não parece nada de extraordinário. Mas é! Barack Obama ganhou notoriedade por poder se tornar o primeiro presidente negro norte-americano. Se ele já era presidente, como diz a frase de Bonner, então perdeu a graça.
Saber regras de gramática, sintaxe, morfologia e decorar a conjugação de verbos é uma virtude que poucas pessoas possuem. Isso pode levar os nossos jovens e, também os mais velhos, a “relaxarem” no uso de nosso idioma.
Em uma época em que a utilização dos computadores tem “obrigado” as pessoas, principalmente os jovens, a escrever e ler como nunca tinham feito antes, o uso da informática não trouxe os benefícios que poderíamos imaginar.
Apesar de se ler mais e “navegar” horas e horas na Internet, a escrita, enquanto forma, sofreu muito mais deformações do que correções em virtude do surgimento de códigos utilizados no famoso MSN, por exemplo, presente na vida de muitos. Ou, ainda, nas páginas de relacionamento do Orkut, também com características próprias. Os textos dos e-mails (correios eletrônicos) quando utilizados na área profissional, institucional, buscam manter o formalismo da língua, mas nem sempre conseguem.
O mundo tem visto vários exemplos de mudanças significativas, que nos trazem uma nova e saudável perspectiva para o futuro.
Nem tudo, porém, é como gostaríamos que fosse. Está na hora de o nosso sistema educacional, se posso assim chamar, acompanhar essas mudanças e os responsáveis se empenharem para que isso aconteça.
Da mesma forma que o, agora eleito, candidato Obama disse em sua campanha: “Yes, we can”, nós devemos acreditar na melhora da educação e dar crédito àqueles que se propõem a lutar por dias melhores nas escolas. Sim, nós podemos e, principalmente, nós queremos.
“Sim, nós podemos”! Afinal, é aposto ou vocativo?
** Aposto é uma palavra ou expressão que explica ou que se relaciona com um termo anterior com a finalidade de esclarecer, explicar ou detalhar melhor esse termo.
*** Vocativo: é a palavra, termo, expressão utilizada pelo falante para se dirigir ao interlocutor por meio do próprio nome, de um substantivo, adjetivo (característica) ou apelido.





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